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“Nenhum empresário pode afirmar que o sítio é meu”, diz Lula

15 NOV 2018
15 de Novembro de 2018

Em depoimento à juíza federal Gabriela Hardt, substituta de Sérgio Moro nas ações da Operação Lava Jato, nesta quarta-feira (14), em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar que não é proprietário do Sítio em Atibaia, no interior de São Paulo. O petista foi ouvido na ação penal que investiga o recebimento de propina em obras de melhorias na propriedade. Ele é acusado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.Resultado de imagem para lula

Segundo Lula, o verdadeiro dono da chácara seria o empresário Fernando Bittar, que é amigo pessoal da família e sócio do filho do ex-presidente. “Eu vou ao sítio porque o dono do sítio me autoriza a ir lá. Que bens pessoais eu tinha no sítio: cuecas, roupas de dormir. Nenhum empresário pode afirmar que o sítio é meu, se não é meu […] Disseram que eu podia utilizar e ofereceram espaço para eu guardar minhas ‘tralhas'”, disse Lula.

Em relação as obras da OAS e Odebrecht feitas na propriedade, o petista afirmou que nunca negociou as reformas porque o sítio não era dele. “Alguém fazer uma obra que eu não pedi e, depois, negociar uma delação sob pressão de que é preciso citar o Lula e vocês colocam isso como verdade. Eu repudio qualquer tentativa de qualquer pessoa dizer que foi feito uma obra para mim naquele sentido”, afirmou Lula.

Sobre a ampliação da cozinha encomendada pela ex-primeira dama Marisa Letícia, Lula ressaltou que não sabia dos detalhes. “Não sei quem vez a reforma da cozinha, o que sei é que foi discutido entre Fernando (Bittar), a mulher do Fernando e dona Marisa da necessidade de se ampliar essa cozinha”, destacou.

A juíza então perguntou se Lula não estranhou a empreiteira fazendo obra em uma cozinha. “Não estranhei porque era uma pessoa com quem eu tinha relação há 20 anos fazendo uma coisa sem falar de caixa geral. E acho que ele tinha cobrado. E isso foi em 2014, eu não era mais presidente, nem disputava eleições”, disse.

Além disso, o ex-presidente destacou que, na visão dele, quem fez a cozinha foi o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, e não a empreiteira em si. “Nunca discuti com ninguém. Não foi a OAS que fez a cozinha, quem fez foi o Léo Pinheiro. Para mim, tudo isso estava muito resolvido porque nunca ninguém me disse pagamos ou não pagamos, recebeu ou não recebeu”, contou.

DOCUMENTOS

Questionado sobre notas da reforma encontradas em seu apartamento, Lula disse que os papéis podem ser da esposa falecida Marisa Letícia, que teria negociado as reformas sem seu conhecimento. “Se as notas foram encontradas lá em casa, podem ser da Dona Marisa. O pedalinho foi ela que comprou, a capa para a piscina, deve ter sido ela também”, concluiu.

Lula também foi perguntado pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre a intenção de compra do sítio. “Tinha a intenção de comprar o sítio? Pensei em comprar para agradar a Dona Marisa, em 2016, mas o Jacob Bittar não quis vender”, afirmou.

O PROCESSO

Além de Lula, outras 12 pessoas são rés no processo. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o ex-presidente recebeu propina das empreiteiras OAS e Odebrecht por meio de reformas no sítio de Atibaia, no interior de São Paulo. As melhorias teriam totalizado mais de R$ 1 milhão.

O pecuarista e amigo pessoal de Lula, José Carlos Bumlai, também prestou depoimento nesta quarta-feira (14).

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